Uma das primeiras vítimas do patriarcado

Segundo Walter Burkert, em seu livro “Religião Grega na Época Clássica e Arcaica”, Hera é uma das únicas divindades olimpianas que não chegou na grécia por imigração da Ásia, Egito ou dos povos indo-europeus: ela já era a rainha do Olimpo antes mesmo de Zeus aparecer na Hélade.

Hera é a deusa do casamento, das mulheres, dos contratos/pactos, do céu, estrelas e muito mais. Ela era geralmente retratada como uma bela mulher, de beleza comparável a Afrodite, usando uma coroa e segurando um cetro real com ponta de lótus, e às vezes acompanhada por um leão, cuco, falcão ou pavão.

A etimologia de seu nome foi rastreada de várias maneiras, tanto de raízes gregas quanto orientais, embora não haja razão para recorrer a estas últimas, já que Hera é uma divindade puramente grega, como também diz Heródoto (ii. 50), significando provavelmente o mesmo que Kera – senhora.

Hera dando criando/dando vida, simbolizada através do jato de leite, a Via Láctea. Zeus observa logo ao fundo. Pintura por Peter Paul Rubens (1577–1640).

Hera era, de acordo com as tradições mitológicas mais famosas, a filha mais velha de Cronos e Reia, e irmã de Zeus (Hom. Il. xvi. 432; comp. iv. 58; Ov. Fast. vi. 29.) Apolodoro (i. 1, § 5). No entanto, alguns chamam Héstia de filha mais velha de Cronos, a primeira a ser engolida e a última a ser regurgitada.

De acordo com os poemas homéricos (Il. xiv. 201, &c.), ela foi criada por Oceano e Tétis, pois Zeus usurpou o trono de Cronos; e depois ela se tornou esposa de Zeus, seu próprio irmão, sem o conhecimento de seus pais.

Seu casamento com Zeus ofereceu ampla inspiração para invenção poética e vários lugares na Grécia reivindicaram a honra de ter sido o cenário da cerimônia, como Eubeia, Samos, Creta e Monte Thornax, no sul de Argólida. Seu caráter, conforme descrito por Homero, não é muito amável, e suas principais características são ciúme, obstinação e uma disposição briguenta, que às vezes faz seu próprio marido tremer.

Dessa forma, a deusa foi reduzida, através da mitologia, de governante da Grécia para uma simples esposa raivosa, mas isso não foi o suficiente para silenciar o seu culto, que continuou proeminente em boa parte da Hélade, com diferentes epítetos e festivais.

Seu santuário mais famoso estava situado entre Argos e Micenas, perto do Monte Eubeia. No interior do templo estavam estátuas antigas das Cárites, a cama de Hera (salienta-se a importância do leito conjugal para a deusa do casamento) e um escudo que Menelau havia tirado de Euforbo em Tróia. Além disso, uma colossal estátua de Hera sentada em seu trono, feita de ouro e marfim, obra de Policleto. Ela usava uma coroa na cabeça, adornada com as Cárites e as Horas; em uma mão ela segurava uma romã, símbolo da transição de menina para mulher, e na outra um cetro com um pássaro na ponta.

Respeitando o seu real poder, os antigos oferecem várias interpretações ao seu campo de atuação: alguns a consideravam como a personificação da atmosfera (Serv. ad Aen. i. 51), outros como a rainha do céu ou a deusa das estrelas (Eurip. Helen. 1097), ou como a deusa da lua (Plut. Quaest. Rom. 74), e ela é até mesmo confundida com Deméter, Ártemis e Perséfone. (Serv. ad Virg. Georg. i. 5). De acordo com visões modernas, Hera é a grande deusa da natureza, que foi adorada em todos os lugares desde os primeiros tempos. Os romanos a chamavam de Juno.

Hino Homérico 12 (trad. autoral) (épico grego do século VII a IV AEC): “Canto a Hera, sentada em trono dourado, que foi gerada por Reia. Ela é a Rainha dos Imortais, a mais bela entre todos: é a irmã e esposa de Zeus que ruge em trovões, o glorioso. A ela todos os bem-aventurados no alto Olimpo reverenciam e honram, assim como fazem a Zeus, que se deleita com o trovão.”

Hino Órfico 16 a Hera (trad. autoral) (hinos gregos do século III AEC ao II EC): “Ó Hera da realeza, de semblante majestoso, com forma aérea, divina, abençoada rainha e esposa de Zeus, entronada no seio do ar cerúleo, a raça dos mortais é tua constante preocupação. As brisas refrescantes que dão vida, que toda vida deseja, são geradas apenas por ti. Mãe das chuvas e dos ventos, somente de ti, que produz todas as coisas, a vida mortal é conhecida: todas as naturezas compartilham do teu temperamento divino, e o domínio universal é exclusivamente teu; com estrondos de ventos, o mar crescente e os rios rolantes rugem quando são agitados por ti. Vem, abençoada Deusa, famosa rainha poderosa, com um aspecto gentil, alegre e sereno.”

Alguns pesquisadores supõem que o temperamento reativo de Hera na mitologia de Homero é fruto da associação com a natureza, que pode repentinamente causar grandes estragos (terremotos, tsunamis, etc).

Hino Órfico 16 a Hera (trad. autoral) (hinos gregos do século III AEC ao II EC): “Ó Hera da realeza, de semblante majestoso, com forma aérea, divina, abençoada rainha e esposa de Zeus, entronada no seio do ar cerúleo, a raça dos mortais é tua constante preocupação. As brisas refrescantes que dão vida, que toda vida deseja, são geradas apenas por ti. Mãe das chuvas e dos ventos, somente de ti, que produz todas as coisas, a vida mortal é conhecida: todas as naturezas compartilham do teu temperamento divino, e o domínio universal é exclusivamente teu; com estrondos de ventos, o mar crescente e os rios rolantes rugem quando são agitados por ti. Vem, abençoada Deusa, famosa rainha poderosa, com um aspecto gentil, alegre e sereno.”

Alguns pesquisadores supõem que o temperamento reativo de Hera na mitologia de Homero é fruto da associação com a natureza, que pode repentinamente causar grandes estragos (terremotos, tsunamis, etc).

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